Resenha – King Spawn #1

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Todd McFarlane não joga para perder, e isso é fato! Desde que ele se desligou da Marvel para ajudar a fundar Image Comics praticamente todos os seus passos são feitos com a intenção de ir em uma direção certa, e embora alguns tropeços tenha sido dados, isso não o impediu de seguir em frente. Com a criação de Spawn, seu personagem que tem sido o alicerce de seu império, McFarlane mudou o rumo não só dos quadrinhos mas também de outras áreas como actions figures e entretenimento. E quando nada mais havia que iria surpreender os fãs eis que ele surge, com sua visão extremamente estratégica, com mais uma ideia que indicaria que um novo rumo seria dado em sua carreira: a criação do seu próprio universo nas HQs!

Capa de King Spawn #1. Arte de Puppeteer Lee

As sementes têm sido plantadas há muito tempo em dezenas de edições atrás sobre uma horta um pouco obscura que aos pouco culminou com a primeira germinação ocorrida na histórica edição #300. Dali surgiu a primeira planta que recebeu o nome de Universo Spawn. A ideia era bem simples: fazer com que Al Simmons interagisse com diversos outros hellspawns, sejam eles de épocas ou realidades diferentes, e assim poder apresentar o máximo de personagens possíveis em um grande universo compartilhado como nos primeiros anos da Image, quando outros fundadores como Jim Lee e Rob Liefeld tinham seus títulos mas que faziam parte do mesmo universo. Conforme o tempo passou estes autores começaram a sair e levar seus personagens, deixando McFarlane sem muitas opções além dos personagens que ele já possuía.

A partir da edição #300 vários personagens começaram a saltar nas páginas como Spawn Medieval, Spawn Pistoleiro, Mulher-Spawn, Spawn Ômega, Plague Spawn (Praga, em tradução livre) , entre outros. Foi a aí que a planta começou a virar árvore e tivemos o lançamento do especial que iniciaria a floresta: Spawn’s Universe #1. Neste one shot começamos a ver que muita coisa ainda haveria de ser contada e o espaço estava reduzido àquelas 32 páginas mensais. Então McFarlane fez com que crescesse o primeiro galho da sua planta que se chamou King Spawn.

O título já veio cheio de expectativas antes mesmo de aportar nas prateleiras das comic shops americanas. Além de ter sido, até o momento, a revista mais vendida de 2021 com quase meio milhão de cópias, seria o segundo título mensal depois de anos de publicação e o primeiro realmente interligado com a HQ principal. Embora já tenhamos outros títulos como Curse of the Spawn (que saiu no Brasil como A Maldição do Spawn), Spawn: The Undead e Hellspawn, todos poderiam ser lidos de forma independente pois tinha seu próprio enredo que, nem sempre, se refletia nas demais revistas. Não é o que acontece com King Spawn. No início as informações eram parcas sobre do que se tratava a revista já que McFarlane revelou muito pouco, mas a ideia de que a história se passaria em algum tempo no futuro mostrou-se equivocada ao folhear as primeiras páginas.

King Spawn se passa em época contemporânea e continua a história vista na edição #320 demonstrando que, possivelmente, os dois títulos possam trabalhar de forma alternada. Isso acaba lembrando os tempos da editora Abril quando chegou a publicar 3 edições por mês no Brasil, duas da edição principal que era quinzenal e um número da Maldição do Spawn, porém percebemos que a nova HQ, embora seja uma continuação dos eventos anteriores, acaba tendo o seu próprio ritmo. Isso se deve ao fato de que o roteiro da revista ficou à cargo de Sean Lewis (Saints, The Few, Coyotes) com McFarlane trabalhando em alguns diálogos adicionais e histórias de apoio. Já os desenhos foram distribuídos para diversos artistas em cada um dos seus cinco capítulos, à exemplo do que foi feito na edição #300 e Spawn’s Universe.

A trama principal que abre a HQ teve desenhos do espanhol Javier Fernandez (Captain America, Batman, Nightwing). Nela temos a aparição de um grupo extremista chamado Salmo 137 cuja filosofia é assassinar crianças para conseguir com que seu deus apareça, e para isso eles não usam de pequenos atos. Isso fica nítido quando eles decidem explodir uma escola fundamental, chamando a atenção de Spawn e Jessica Priest. Em busca de explicações Al terá que recorrer a anjos e fazer sua própria investigação já que ele está convicto de que os atos terroristas são apenas um engodo para chamar sua atenção, e quem está por trás disso tudo parecer ser um antigo inimigo.

Arte de primeira história de King Spawn por Javier Fernandez

A seguir temos uma história com o personagem Haunt, criação de McFarlane e Robert Kirkman que teve uma série mensal com 28 edições há alguns anos e desde então não havia dado as caras. Em meio à uma vida pacata o ex-padre Daniel Kilgore está feliz com sua namorada Lydia porém as aparências enganam e o que poderia ser algo tranquilo torna-se extremamente perigoso.

A terceira história é centrada no Nightmare Spawn (Pesadelo, em tradução livre), versão maligna de Al Simmons que apareceu pela primeira vez na série Hellspawn e tornou-se popular após virar uma action figure. Sua chegada é resultado dos diversos portais abertos por Simmons na edição #300 que trouxe diversos hellspawns para os dias atuais. Este novo personagem é apresentando como um grande vilão e que pode trazer diversos problemas para Simmons futuramente. A história foi desenhada pelo brasileiro Marcio Takara,

A história seguinte é chamada The Hero (“O Herói”) e é voltada para o jovem Alex, um garoto que presencia um grande massacre perpetrado por uma estranha figura com armadura, e por algum motivo este novo personagem chamado Komox tem alguma ligação com o garoto. O nome do personagem Komox está provavelmente relacionado com o termo K’omoks, nome dado ao povo indígena Comox situado na Colúmbia Britânica, extremo oeste do Canadá, na ilha de Vancouver. A arte da história foi de um velho conhecido dos fãs de Spawn: Philip Tan.

A última história, desenhada por Bret Booth, segue os passos do Spawn Pistoleiro após os acontecimentos vistos em Spawn’s Universe mostrando seus primeiros dias após seu renascimento no Velho Oeste e depois, quando ele trocou um cavalo por uma motocicleta nos dias atuais. Sem entregar muito a história, a continuação acontecerá no novo título do personagem a ser lançado mês que vem.

Fazendo uma análise geral, o novo título tem um impacto muito maior do que o apresentado em Spawn’s Universe, fazendo com que King Spawn realmente seja a porta de entrada para este universo compartilhado permeado de novos e antigos personagens. Todos tiveram seu espaço junto a Al Simmons e possuem possibilildades de se tornarem tão populares quanto ele. Na primeira história o terror e mistério voltam mais uma vez à revista e traz um ar de nostagia com desennhos bem nítidos e cenas gore que os fãs tanto apreciam, e a possibilidade de retorno de um clássico vilão cria diversas possibilidades que podem fazer com que King Spawn seja um sucesso imediato. As introduções de Haunt, Nightmare Spawn e Komox ajudam ainda mais a aumentar este leque de opções, e todas as sua histórias, embora não mostre muita coisa, dá a oportunidade de McFarlane em diversificar e, quem sabe, criar novos títulos baseados em alguns destes personagens, como será feito com o Spawn Pistoleiro, que seguirá um caminho solitário e independente. Anteriormente Haunt, embora dentro do universo de Spawn desde o início, nunca teve contato com Al Simmons mas esta interação que está por vir pode render boas histórias. No quesito arte todas tiveram sua relevância dentro da sua história e se encaixou com o proposto. Enquanto em Haunt havia o colorido de Segovia mostrando uma vida feliz, Takara mostrou um tom mais sombrio que combinava com Nightmare.

Em resumo, King Spawn realmente veio para ficar e não é à toa que tornou-se um sucesso de vendas. Agora é esperar que a floresta comece a florescer e dê frutos.


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