Trezentos e dezoito números levaram a isto: a fundação do Universo de Spawn, um universo de possibilidades para Spawn e seus aliados assim como para seus inimigos. Nós esperamos que goste.

Com estas palavras Todd McFarlane deu início ao seu Universo Expandido com o lançamento de Spawn’s Universe, especial que foi muito aguardado pelos fãs e que promete interligar diversos títulos, trazer uma série de novos personagens e o retorno de velhos conhecidos.

Capa de Spawn’s Universe #1. Arte de J. Scott Campbell

Para entender a importância desta nova era temos que voltar ao início da fundação da Image Comics. Os primeiros títulos davam a ideia de existir uma espécie de universo compartilhado entre os estúdios dos seus criadores, embora a aparição de um personagem em outras revistas que não fosse a dele próprio era tratado como um crossover. No caso de Spawn, ele já apareceu nas histórias do Gen13, WildC.A.T.s, Savage Dragon, Shadowhawk e outros, mas com o tempo cada estúdio acabou se tornando mais isolado em seu próprio universo e inviabilizou que os personagens pudessem ser compartilhados. A coisa foi ficando pior quando alguns dos fundadores deixaram a Image, como foi o caso de Rob Liefeld, cujo personagem Capela tinha grande importância para as histórias de Spawn.

Havia, portanto, a necessidade de Todd McFarlane em tentar expandir o seu leque de personagens e ter o seu próprio universo. A primeira tentativa foi quando ele criou o título Curse of the Spawn (que foi lançada no Brasil pela editora Abril com o nome A Maldição do Spawn) e trazia histórias de personagens coadjuvantes da série principal além da apresentação de novos hellspawns. Infelizmente esse título teve vida curta, durando apenas 29 edições. Com o novo título McFarlane quer investir novamente nesta ampliação, trazendo novos títulos e focando não apenas no personagem principal mas também em outros com potenciais para terem suas próprias histórias solo.

A edição que chegou esta semana veio com o dobro de páginas para contar 4 histórias diferentes. A primeira é focada em Spawn e é uma continuação dos eventos vistos na edição 318. Desenhada pelp artista britânico Jim Cheung (Avengers: The Chidren’s Crusade, Infinity), A história traz o que é proposto: a apresentação de, pelo menos, dois novos vilões e dois outros personagens com papéis em incertos, sendo que um deles é um personagem clássico que agora recebeu um novo visual e uma nova alcunha. A história em si não traz muitas surpresas e pode trazer certa decepção para os fãs mais exigentes. Além disso, outro fator determinante é que a história é uma continuação de um arco que vem acontecendo há muito tempo, desta forma não é um título ideal para quem quer começar a ler Spawn a partir de agora ou que não vem acompanhando os últimos números, mesmo  McFarlane citando o contrário em seu posfácio. A história vale pela competente arte de Cheung que utiliza diversos quadros grandes e splash pages, valorizando seus desenhos.

A história seguinte é um conto do passado do Spawn Medieval lutando contra um mago que tem um dragão sob o seu controle. A arte ficou sob a responsabilidade do filipino Stephen Segovia (Superior Carnage, Hellions) que trouxe uma arte mais limpa e menos detalhada que a anterior. Essa história não acrescenta muita coisa ao plot principal, porém dá pistas de como será a encarnação do Spawn Medieval atual.

Página da história principal. Arte de Jim Cheung

A terceira história é a focada na Mulher-Spawn e foi desenhada pelo brasileiro Márcio Takara (Wolverine: The Last Night, The Sandman Universe Presents Hellblazer). Neste pequeno conto que se passa no presente é mostrado um pouco da vida pessoal de Jessica Priest onde ela tem que fazer uma escolha entre permanecer com sua família ou seguir o destino que foi colocado no seu caminho como uma aliada de Al Simmons. Por não ter nada de excepcional Takara tem pouco a desenvolver, embora os momentos em que Jessica apareça como Mulher-Spawn tenha sido um bom atrativo.

A última história, talvez a mais interessante das três, é focada no Spawn Pistoleiro e foi desenhada pelo americano Brett Booth (Backlash, Nightwing). A história também se passa no passado porém traz o clima gore que os fãs estão acostumados a ver e que explica um pouco sobre o visual do Pistoleiro nas histórias atuais. Somado à arte detalhada de Booth, não é à toa que este personagem aos poucos esteja se tornando um dos favoritos dos leitores e colecionadores, tanto que este ano também vai ganhar um título próprio como parte do Spawn’s Universe.

O especial, que saiu com sete capas diferentes, não foi algo tão majestoso quanto se esperava mas cumpriu o seu papel de expandir as histórias de Spawn, além de aumentar a sua popularidade que vem crescendo desde o ano passado com grande campanha de McFarlane utilizando suas redes sociais para divulgar todo o processo de concepção de sua nova linha de HQs. Quem sai ganhando é o fã que poderá encontrar mais histórias do Soldado do Inferno nas lojas.

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