Spawn sempre foi um personagem polêmico entre os leitores de HQs. Amado por uns e odiado por outros, é inegável que ele fez história no Brasil desde o seu lançamento pela editora Abril em 1996 e deixou sua marca quando passou pelas editoras Pixel Media e HQM. Com a seu retorno pela editora New Order através do encadernado Spawn: Ressurreição a Cria do Inferno tem a missão de reconquistar seu antigo público, que encontra-se órfão desde o volume Herança Maldita (HQM, 2012) e também criar interesse entre os novos leitores, principalmente aqueles que nunca leram nenhuma edição do personagem criado por Todd McFarlane. Esta é a proposta criada com este lançamento que marca, literalmente, a “ressurreição” de Spawn no Brasil.

A edição dá um salto de 66 números (fase de Jim Downing) desde a última edição publicada no Brasil porém é um bom ponto de partida tanto para novos leitores quanto para antigos que não acompanharam a fase anterior já que é como um reinício da saga.

Capa da edição encadernada de Spawn: Ressurreição lançada pela editora New Order

A História

Al Simmons, em seu exílio auto-imposto, fica sabendo por intermédio de Deus que eventos desencadeados na Terra culminaram em uma grande perda para ele. Assim ele decide voltar em busca de vingança contra aqueles que lhe infringiram mal e para isto conta com a ajuda do misterioso Michael. Ambos começam uma jornada que os levará, literalmente, ao Inferno.

Sobre a edição

Quando as histórias de Spawn foram interrompidas no Brasil em 2012 estava para ser iniciada a saga Endgame, que começa com o desaparecimento de Al Simmons e surge em seu lugar Jim Downing, o novo hospedeiro do K7-Leetha. Esta fase começou na edição 185 e terminou na edição 250 quando Jim impediu que seu uniforme tomasse conta de Nova York ao lançar vários insetos e criaturas sobre a cidade. Jim se sacrifica e no lugar do seu desaparecimento surge Al Simmons voltando do limbo. O seu retorno aconteceu no especial Spawn: Resurrection que mostra onde o Spawn original esteve e o que fez com que ele voltasse. A continuação da história acontece na edição 251.

O retorno de Al Simmons sempre foi muito aguardado pelos fãs já que Jim Downing não fez muito sucesso nos Estados Unidos pois ele era bem diferente do Spawn original, tanto em personalidade quanto em atitudes. Para abrilhantar o seu retorno Todd McFarlane chamou Paul Jenkins (Hellblazer, Batman, Wolverine) para ajudá-lo a escrever a história e Jonboy Myers (Gen 13, Flash, Superman), que deu a Spawn uma nova aparência, mais limpa que o artista anterior Szymon Kudranski, além de dotá-lo de garras e uma espada divina. Mesmo assim o novo visual de Spawn (é inegável sua comparação com Venom, da Marvel Comics), embora seja menos sombrio, ficou interessante e marca o quanto o personagem evoluiu desde seu primeiro uniforme, que era mais simples e com estilo de “super-herói”.

Arte de Jonboy Meyers para Spawn

Já Jenkins cria um plot twist inimaginável para história, que será o fio condutor de toda a trama que fará com que Spawn busque sua vingança contra seus inimigos, levando a crer que tudo será resolvido na edição 300, que marcará a revista Spawn, ao lado de Cerebus de Dave Sim, como o título independente mais longevo até hoje.

Na história vemos o retorno da família de Wanda (inclusive os gêmeos que haviam desaparecido na saga Armagedom), Capela (que por causa de problemas com direitos autorais com Rob Liefeld havia sido substituído por Jessica Priest) e o surgimento de um novo personagem: Michael, que ajudará Spawn em sua busca por vingança. Em vários momentos também vemos o passado de Al Simmons, tanto em sua infância quanto em seu tempo como agente do governo, assim como a perda do seu filho por causa do aborto causado pela agressão que ele causou a Wanda e que foi mostrado no encadernado Herança Maldita (anteriormente Malebólgia havia plantando a informação de que Al era estéril para humilhá-lo em seu retorno após a morte). Estas informações do passado de Al só farão com que sua ira aumente e que possa impôr sua fúria contra todos que estiverem em seu caminho até chegar ao maior de todos os males: o próprio Satã!

O encadernado brasileiro lançado pela New Order segue basicamente o formato do encadernado americano, embora seja muito mais bonito e conter extras não incluídos na edição original. Enquanto a versão original contém uma capa cartão bem sem graça, a New Order, sabiamente, decidiu utilizar a imagem alternativa do especial Spawn: Resurrection e capa dura com aplicação de verniz no título, o que fez com a edição ficasse bem luxuosa.

Capa do encadernado americano Spawn: Resurrection

Além de vir com o especial, o encadernado contém as edições 251 a 255 e criam um gancho para o encadernado seguinte, Satan Saga Wars. Como extras o encadernado contém as artes em preto e branco das capas das edições e, com exclusividade para o Brasil, uma ótima introdução feita por Samir Naliato (colaborador do Universo HQ) que situa o leitor sobre os acontecimentos anteriores, biografias dos artistas e uma ótima lista sobre todos os títulos sobre Spawn que foram publicados no Brasil. A excelente tradução foi feita por Alexandre Callari, da editora Pipoca & Nanquim e mostra que, em tempos de problemas com tradução e revisão sofridos pela Panini Comics, a edição da New Order foi passou nos teste contra erros, deixando-a impecável. Para os leitores que conseguiram comprar o encadernado na pré-venda de lançamento ainda ganharam de brinde um pôster com a arte de Jonboy no lugar da arte prometida por Todd McFarlane em agradecimento aos fãs brasileiros pelo Manifesto Spawn que possibilitou que o título voltasse a ser publicado por aqui, mas que não ficou pronto a tempo para a distribuição.

Arte do pôster encartado com a edição por Jonboy Meyers

Spawn: Ressurreição marca a volta de Spawn ao mercado brasileiro e o seu lançamento chega em um momento bem oportuno para o personagem. Além do futuro filme a ser lançado protagonizado por Jamie Foxx e a chegada da edição 300 este ano, Spawn também foi anunciado como um dos lutadores via DLC de Mortal Kombat 11 (que já tinha sido especulado desde o ano passado através da conversa de McFarlane com os fãs via Reddit) assim como a disponibilização do filme de 1997 no serviço de streaming Netflix. Com isto a esperança é que a popularidade do personagem retorne e incentive a editora a lançar os próximos volumes da Cria do Inferno, principalmente a coleção Origins com a intenção de mostrar o início da saga para os jovens leitores.

Spawn ressuscitou, e que permaneça vivo por aqui por um bom tempo.

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